M.G.: Xenoblade Chronicles 2


Como muitos Role-Playing Games (RPGs) nipónicos, Xenoblade Chronicles 2 é virado para a história. Mas difere num elemento contemporâneo quase cliché: o sucateiro Rex, o protagonista, não é construído segundo a imagem de Son Goku, do Dragon Ball. Não é um herói bem-intencionado, tonto e trapalhão. Grande parte do dinheiro que consegue com a venda de sucata, é enviado para a tia que o criou na pequena aldeia de Fonsett, ao mesmo tempo que a sua sagacidade quebra com os lugares-comuns do protagonismo masculino dos jogos japoneses.

O mundo de Alrest (onde a ação decorre) está cheio de animais e criaturas de diversas dimensões e é com elas que temos de combater. O sistema de luta é bastante complexo. Ainda que o jogo vá explicando progressivamente todos os elementos que o compõem, só com algumas horas de jogabilidade é que as vamos conseguindo compreender e dominar. Os personagens atacam automaticamente, mas existe uma cadência ritmada para irmos carregando nos botões e fazendo ataques especiais. E é nesse quase jogo de ritmo interno que reside toda a complexidade e todo o interesse das mecânicas diferentes que este título traz para os Action RPGs.

Um dos fatores que pode afastar grande parte do público é a necessidade de subir de níveis através de grinding. O grind é a repetição exaustiva de algumas ações que, neste caso, faz passamos dezenas de horas combatendo os mesmos monstros para receber a experiência necessária para subir de nível. Como é frequente nos jogos nipónicos, esta necessidade de escalar níveis acaba por consumir grande parte do tempo que passamos no jogo, tornando-o para numa tarefa aborrecida. Contudo, mergulhar num Xenoblade é reconhecer à partida que a nossa progressão é refém do recurso ao grind.

Felizmente, Xenoblade Chronicles 2 introduz diversos elementos de diversificação. Neste mundo, os guerreiros (os Drivers) vivem em simbiose com “armas” inseridas em seres humanóides — as Blades –, o que resulta num conceito mais difícil de explicar do que ver no próprio jogo. Um Driver “conduz” os poderes dos Blades, que lhes emprestam em combate uma força mística para derrotar qualquer adversidade. E é na procura dos muitos e diversificados Blades que reside uma camada adicional colecionável neste jogo, alargando ainda mais as horas de conteúdo para terminar esse feito.

Xenoblade Chronicles 2 vem mais uma vez demonstrar que esta série de RPGs desenvolvida pelo estúdio Monolith Soft está tornando num dos grandes títulos do género a nível global, rivalizando com o muito conhecido Final Fantasy. Por outro lado, ao dirigir-se para jogadores (ditos) hardcore, demonstra que a Nintendo Switch tem uma versatilidade tremenda e que está preparada para responder a todo o tipo de público. Mas este Chronicles 2 cimenta, sobretudo, a tremenda criatividade artística, narrativa, conceitual e mecânica dos seus autores, que voltaram a criar um dos mundos mais coesos, fantasiosos e surpreendentes de que há memória nos games, abrilhantado por um elenco inteligente e memorável.

Não é certo um jogo para todos, mas é um ótimo jogo lançado ao cair dos panos de 2017, e um dos melhores da Nintendo Switch.
Joguem que vocês vão gostar, eu tô adorando o jogo recebido pelo nosso fornecedor SHOPB.
Até a próxima.





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